quarta-feira, 12 de março de 2014

Coragem

Ser feliz e ter coragem estão do mesmo lado da barragem. Quando quebra o concreto é um aguaceiro só. Mas tem que dar martelada forte, pois coragem é coisa rara no mercado. Não venha no varejo. Felicidade e coragem só existem no atacado.

quinta-feira, 6 de março de 2014

A noite de 21 anos

Sugestão de leitura no mês do cinquentenário do Golpe Civil-Militar e da longa e sanguinária ditadura que se seguiu. Imagino difícil para qualquer historiador (ou leitor...) separar a própria memória, a história e as preferências políticas, mas acredito que Marcos Napolitano conseguiu um bom equilíbrio. Que esses tempos sombrios, com os quais ainda temos uma dívida grande, nunca mais nos visitem.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Sem Mais


Seja Nômade
Ambulante
Delirante
Se afaste das margens 
Não há porto seguro
O melhor é navegar
Namore o abismo
Pois mesmo no fundo
O buraco é mais embaixo
E, sobretudo,
Fique certo de uma coisa: 
Não há certeza 
De absolutamente nada

Foto: José Padilla.net 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Bolsa Família

Veja que interessante: 

No Brasil, apenas ano passado, foram sonegados (muito especialmente pelos mais ricos e milionários) cerca de 400 bilhões de reais (4 vezes todo o orçamento da Saúde no mesmo ano!!!). Quantos posts dos "indignados de Face" vemos sobre isso? Mas o grande problema, para os desinformados e egoístas, é essa família no interior na Paraíba (na qual todos trabalham - saiba você que 75% dos que têm BF trabalham - e pagam mais imposto que eu ou você que me lê, pois são tributados no consumo) receberem um auxílio (como ocorre em todo país civilizado do mundo e foi imitado até pela Suiça) que se converte em mais reais girando na economia (bom para todo mundo!) e que permite que seus filhos (por uma imposição do BF) permaneçam na escola. Chamam-lhe de "Bolsa Esmola", esses egoístas sempre de plantão contra os mais pobres e calados quanto aos grandes sonegadores. Depois não sabem porque perderão mais uma vez uma eleição, não porque Dilma ou PT são perfeitos (estão longe disso), mas porque perderam o trem da história e não têm propostas além dos berros antipetistas, que desejam o pior para o país apenas para alimentar um ódio infantil e desinformado.



domingo, 26 de janeiro de 2014

Marca Passo

Foto: Marco Zero, Recife, nesta manhã de domingo.


Essa gente pernambucana desde cedo aprende a amar essa dança
Eu, Paraíba nato, coitado, não me afoito nem ao primeiro passo
Mas é bonito de ver a leveza do corpo...
Voa como se uma mola mágica impulsionasse o salto
Uma belezura que dá gosto
Em Recife é assim: depois do Natal é tudo Carnaval


Vai ter Copa e Eleição

Vai ter Copa. Vejo um protesto com menos de 1000 pessoas na Paulista (metade ali só pra quebrar lata de lixo e pontos de ônibus, além de tacar fogo em fusquinha), enquanto, na mesma cidade, 30 mil em um estádio para assistir a uma final de Copinha São Paulo (Imagina na Copa!!). Não acho que vamos fazer a "Copa das Copas", como a Presidenta assevera. Nem precisamos. A não ser que ela fale sobre alegria, pois assim somos o ano todo. Não somos a Alemanha. Nem nossos governantes nem nós somos europeus. Vamos fazer uma Copa que teve atraso nas obras, que teve superfaturamento nos estádios (e que obra desde Cabral não teve?), que teve discussão sobre de onde vem o dinheiro (ninguém consulta os dados mesmo...), que tem outras mil coisas a resolver além de uma partida de futebol e que tem até uma Cláudia Leite no Palco!!?? (Isso dava um protesto honesto). Nós somos o Brasil, as nossas feridas sangram há 500 anos, não apenas em 2014. Falta muito para melhorar como queremos. Ah, mas como tanta coisa melhorou só a minoria (felizmente) há de negar... Vai ficar sem entender que arrisca não ter é segundo turno, pois vão insistir que gente como eu, e esse povo todo, é penas "burro" (bom mesmo é democracia sem povo, como querem alguns, ou ganhar no tapetão, como desejam tantos). Democracia dói, se sabe, mas há de se aguentar a vontade popular. Vox Populi Vox Dei. Nós reclamamos dos políticos, mas tantos de nós somos desonestos e damos sempre "um jeitinho", molhamos a mão do guarda ou do funcionário público, estacionamos na vaga de deficiente ou idoso "só por um minutinho", cruzamos o sinal vermelho e andamos na contramão (às vezes, até da História...). Não, estádio e futebol também não são minha maior paixão e a Copa é só mais uma festa dessas que fazemos tanto, do nosso jeito brasileiro. "Nova Iorque é bom, mas é uma merda; O Brasil é uma merda, mas é bom" (discutiam Vinicius e Tom). Desrespeito com a população, indígenas desabrigados, mais dinheiro (ainda) para a Educação, mais médico de plantão... Essa é a causa boa, mas muitos querem apenas desestabilizar para sonhar com a eleição do tapetão. Sempre tem tanta coisa errada, em cada ponte construída, em cada estrada esburacada. Protestar sempre para indicar o caminho por onde podemos melhorar, mas discurso fascista, black block sem noção, pedindo que militares saiam do quartel e gente que nem procura saber onde está a razão, também não. "Enquanto você grita Gol alguém rouba a nação"? E se não gritar gol melhora? Parece aquele que não dá esmola a pobre porque "ele vai é beber cana", mas adora uma cerveja gelada para refrescar a cabeça cansada... Puta merda, com uma vida na desgraça nem um gole de cachaça? Nem vou a estádio. Mas, sim, vai ter copa e eleição. E o povo livre e soberano, esse sim (quer gostemos ou não) é que vai decidir o seu destino mais uma vez.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Coração Selvagem

Que um dia ele volte, talvez em uma estrela colorida, brilhante, e traga a necessária e bela tristeza para nossa esperança esfarrapada. Saudades de você, grande mago Belchior.

"Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo no seu colo e nesse bar
Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja"

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Saudade

A música no rádio e a novela não sabem nada da tua ausência 
Sinto muito por elas e por todos os carros na rua 
Não sentem a alegria de lembrar os abraços e o cheiro dos cabelos
Essa ausência (que não é falta) é um espaço vazio cheio de coisas tuas


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Aditivo

E fica decretado
Para todo efeito prático
Que todo amor é imperfeito
Mas que prevaleça
Toda a disposição em contrário


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Dois Mil e Quatorze

Mais uma vez ele chega sorrateiro, abrindo caminho pelos meses passados, apresentando-se todo formoso em promessas e riso fácil. O sedutor nos reapresenta as esperanças adormecidas e enrosca a língua quente nos nossos ouvidos ávidos de suas boas novas, de seus murmúrios de amor sem fim, de paixão grande como o mar. Traz seu frescor com a ilusão dos dias que se renovam com o tempo inventado. Transfigura as tristezas e os medos em notícias de um futuro que se promete melhor. Na boca derrama os melhores vinhos. Cheira bem, esse ano noviço, e antes mesmo de chegar já está aqui, povoando nossa cabeça bêbada de álcool e de desejos. Lá estaremos nós, mais uma vez, atravessando a última noite dividindo a cama entre esses dois amantes. Um nos beijará a face em despedida enquanto o outro nos provará a boca pela primeira vez. Que o beijo seja quente, e também doce, é tudo que queremos. Que nos faça esquecer as promessas não cumpridas, as mentiras deslavadas do ano velhaco que se foi. Que o abraço que chega seja bom e forte, a ponto de nos fazer esquecer que o ano que se passa não foi de todo ruim e malvado. Às vezes foi ano bonzinho, trouxe amigos, amores e domingos. Mas é amor passado, guardado, de modo desleixado ou com cuidado, na nossa vida vivida. Esperamos sempre sermos mais, e melhores, com o novo amor que chega, aquele que se apresenta de todo novo. Que esse amante nos apresente suas novas promessas e traga as suas mentiras doces para nossa esperança de novo menina. Seremos presas fáceis da sua lábia hábil. Ano que não será todo de alegria, pois também parte da vida, mas ano esperançoso de mais serenos dias, ano sem recato, sem medo, por favor, e com a necessária fantasia. Até que um dia nos estenda a mão, pela última vez, em despedida. Mas isso é depois, depois de outra folha rasgada e até que outro poema se faça necessário para romper mais um último dia. Até lá, fiquemos juntos, ouvindo a lição dos anos passados para construir em mais um ano uma vida que se chame de feliz em retrospectiva.